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Chegamos ao Fim de Mais Um Ciclo na Evolução do Trabalho: O Backoffice Operacional Está Acabando no Formato que conhecemos. 

Evolução – necessidade da constante evolução, adaptação e resiliência dos sobreviventes.

Ao longo destes quase 7 (sete) anos como empreendedor, venho experimentando, no dia a dia, a importância da evolução, da adaptação e da resiliência. Isto acontece em todos os âmbitos e cenários, ou seja, na interação com os clientes, no crescimento da ConsulPaz e no meu próprio desenvolvimento. 

Na interação com os clientes, lembro de quando iniciamos nossos projetos e eu comentava com eles sobre o processo de automação, que estava ocorrendo e que muito em breve todos sentiríamos os impactos. Não se passaram nem 5 anos e os RPA’s, IA’s, BI’s da vida já fazem parte da maioria dos negócios. Para a ConsulPaz, não foi diferente. A tecnologia, através de soluções para gestão dos nossos projetos, integração entre soluções e, mais recentemente, nosso primeiro passo para um produto lastreado totalmente na tecnologia, só confirma que ou você se adapta ou não sobrevive, afinal, toda empresa nos dias de hoje é tecnológica. 

Por fim, em relação ao desenvolvimento pessoal, mesmo não sendo um “nativo digital”, a prática do aprendizado contínuo [conhecido como lifelong learning] é uma característica que me permite estar conectado ao que ocorre. Compartilhar esta cultura com nossa equipe, tem permitido entender e, dentro do possível, acompanhar as mudanças.

Contexto da importância dos processos (excelência operacional)

Em minha experiência, tenho acompanhado toda a transformação no mundo dos negócios nos últimos 30 anos com vivências extraordinárias em empresas fantásticas. Acredito que uma das principais características destas empresas seja o fato de que possuem clareza na importância da excelência operacional. Consequentemente, na definição dos processos. 

Para trazer apenas dois exemplos, no final da década de 1980, iniciei minha carreira em uma empresa nacional, líder no segmento em que atuava. Já naquela época, a COFAP exportava para mais de 100 países. Tinha práticas de gestão sustentadas por processos muito bem definidos e já tinha um olhar voltado para o desenvolvimento das pessoas. Havia adaptado as melhores práticas existentes no mundo para seus processos. 

O segundo exemplo é uma outra grande empresa nacional, que tem em seu DNA, dentre outras características fundamentais, o pilar de processos. Na época em que estive na Gerdau, como diz Jorge Gerdau, é necessária uma paranoia pela excelência. Um dos pilares é justamente ter processos robustos, simples e ágeis. 

Uma característica comum nestes dois exemplos é a capacidade de entender a importância que os processos têm no dia a dia das empresas. Entender a necessidade de fazer benchmark, de estar conectado ao que está ocorrendo no mundo e saber que sem processos eficientes, eficazes e efetivos, a excelência não ocorrerá. 

Outro ponto importante desta comparação entre estes dois exemplos é o período em que tive a oportunidade de vivenciá-los. Um, como comentei, na década de oitenta, o outro, mais recente, entre 2005 e 2014. Ao fazer esta reflexão, dei-me conta de que, mesmo com 30 anos de diferença entre um caso e o outro, a busca pela excelência, por processos, por métodos, é presente e é um dos principais pilares de sucesso de ambas as empresas. 

Um breve histórico sobre a evolução do processo de trabalho (industrialização)

Quando analisamos a história, fica evidente que não se trata de algo novo, mas sim, de mais uma grande evolução no processo do trabalho humano. No fim do século XVII, desenvolvem-se os primeiros motores a vapor de uso prático e de interesse industrial. A partir de então, quase todo trabalho que era realizado de forma artesanal sofreu um grande impacto. A Revolução Industrial foi um período de grande desenvolvimento tecnológico, que teve início na Inglaterra a partir da segunda metade do século XVIII. Se espalhou pelo mundo causando grandes transformações no processo produtivo e nas relações de trabalho. Posteriormente, no começo do século XIX, o desenvolvimento tecnológico foi utilizado na criação da locomotiva e das estradas de ferro, utilizados até hoje. A revolução industrial vem consolidar o sistema capitalista e pode ser dividia em três fases.

Início da era tecnológica (1950) ou também a terceira revolução industrial

Durante o século XX, mas próximo da metade, tem início mais uma nova grande transformação, a tecnológica. Essa fase representa uma revolução não só no setor industrial, visto que passou a relacionar não só o desenvolvimento tecnológico voltado ao processo produtivo, mas também ao avanço científico, incluindo, por exemplo, a biotecnologia. Já, nos anos 50, os computadores começam a fazer a diferença em nossa história e a promover mudanças cada vez mais aceleradas. 

Este período criou a base para a indústria 4.0, que tem como uma de suas características a descentralização do controle dos processos de produção. A automação, aliada à tecnologia, possibilita a conexão desses processos produtivos. Assim, aprimora e agiliza a produção da indústria e a redução de custos e tempo. 

Transformação digital (cenário das duas últimas décadas: rede, GPS, celular, 95/96)

Com a chegada da grande rede de computadores (www), dos celulares e, posteriormente, dos smartphones e do GPS (Global Positioning System) nos dispositivos, a velocidade e a integração das coisas passa a ser exponencial e as oportunidades chegam cada vez mais rápidas. A Internet das Coisas (IoT) ganha vida e as conexões se multiplicam, permitindo cada vez mais e mais interfaces, integrações, automações. 

Os sistemas públicos também entram na era da automação. Com isso, muitas burocracias ganham agilidade, aumentam a inclusão social e se inicia uma nova era. 

Aceleração das startups:

Para complementar, as startups se multiplicam, no final dos anos 50, no Vale do Silício, nos Estados Unidos, mesmo que ainda não fossem denominadas startups, e depois no restante do mundo. Cada vez mais as pessoas enxergam oportunidades e passam a transformar sonhos em realidade. Claro que nem tudo deu certo, mas o boom gerado foi suficiente para acelerar de forma exponencial sistemas, processos, tudo que fosse possível de se fazer com tecnologias, inclusive as bio e as nano tecnologias. Atualmente existem, além do Vale do Silício, vários outros centros espalhados no mundo, seja em Israel, China, e alguns países da Europa. 

Fim das atividades repetitivas

Bem, fizemos toda esta viagem para apontar que, considerando a evolução natural das coisas, a importância que os processos e a consequente excelência operacional representam para os negócios, entendendo a história da evolução do trabalho, chegamos ao fim das atividades operacionais e repetitivas executadas pelas pessoas! 

Sim, pode parecer forte, mas nada mais é do que a constatação do óbvio. Assim como no filme Tempos Modernos de 1936, idealizado por Charles Chaplin. Naquela época, demonstrava os modos de produção industrial baseados na divisão e na especialização do trabalho na linha de montagem e que foi substituído ao longo do tempo por robôs nas linhas de produção e montagem. O mesmo está acontecendo com as atividades chamadas de BackOffice, consideradas de apoio, sem interação direta com os clientes e que são otineiras e repetitivas das áreas administrativas e de suporte da empresa. Estas atividades estão sendo substituídas por soluções automatizadas e digitais, cada vez mais integradas. 

As empresas, grandes ou pequenas, privadas, públicas ou do terceiro setor que não se utilizarem destas soluções correm o risco de comprometer sua existência, sua sustentabilidade. Isto porque perderão competitividade frente ao mercado. Agora os robôs não são mais movidos apenas por máquinas de ferro, como na época de Chaplin, mas também por robôs que operam por meio de softwares, quase “invisíveis” nos fronts de BackOffice

Impacto nas pessoas e na cultura (transição de modelo atual)

Como em todas as grandes transformações, o “modus operandi” é diretamente impactado e, com ele, a cultura, que nada mais é do que o jeito de ser e fazer as coisas. A grande diferença, na minha visão, é que, no passado, costuma-se dizer que, para uma mudança ocorrer, seria necessário de uma a duas gerações. Ou seja, uma gerava a mudança e a outra a implementava. Acontece que “geração” pode também significar pessoas que sucederam os seus pais. Nesse sentido, podemos dizer que uma geração pode ter um tempo de 25 anos.

Nos últimos anos, com o avanço da tecnologia e os novos estudos, estima-se que a duração de uma geração reduziu para 10 anos ou menos. Portanto, uma pessoa, durante a sua vida, que antes tinha a “clareza” de como seria sua carreira e o que precisava fazer para chegar e se manter onde desejava, hoje precisa se adaptar, no mínimo, 3 vezes ao longo da carreira. Nos próximos anos, isso será ainda mais acelerado, tornando as transições algo corriqueiro e presente em nosso dia a dia. Isso sem contar que a expectativa humana vem aumentando. Ou seja, o tempo de vida profissional e a possibilidade de vivenciar mais ciclos de mudança vem se ampliando. 

Competência e habilidade

Com este cenário, e reafirmando algo que já comentamos em artigos anteriores, a necessidade do aprendizado contínuo será cada vez maior. O chamado “lifelong learning” será um diferencial para quem desejar se manter ativo e competitivo no mercado de trabalho. 

Outro ponto é que, segundo Conrado Schlochauer, em seu livro recente Lifelong Learners o poder do aprendizado contínuo (2021), as jornadas de aprendizagem são definidas pela escolha do que aprender, as fontes de aprendizado, pelo planejamento e pela evidência do aprendizado. Cito estes pontos, porque entendo ser este um grande desafio da sociedade e dos governos. Recentemente, em uma live com o secretário de estado do Rio Grande do Sul, Luis Lamb, também publicado nesta revista, este é um dos grandes desafios da sociedade como um todo e estamos atrasados. 

Portanto, entender quais são as novas competências e habilidades, não se esquecendo das habilidades que tratam da emoção, do relacional, é fundamental para a evolução e crescimento de nossa sociedade e da força de trabalho. Não entro aqui na discussão de quais são ou na apresentação de uma lista de competências, pois entendo que está disponível em qualquer pesquisa rápida na internet. Porém, destaco que deve ser analisada de acordo com a necessidade e o cenário de cada um, assim como na definição do aprendizado contínuo. 

Neste ponto, quero fazer uma reflexão: na minha visão, classificar alguém pelo ano que nasceu, ou seja, pela sua geração, pode não ser a melhor forma de representar esta pessoa, ou mesmo este grupo de pessoas. Parto do princípio que não é suficiente, para definir como um grupo se comporta, considerando somente o intervalo de tempo e o momento em que o mundo vive. Cada vez mais vemos pessoas de diferentes idades, por exemplo, empreendendo, ou mesmo fazendo mudanças em suas vidas, independentemente da geração à que pertencem. 

Nesta visão, e por acreditar, com base em leitura e pesquisa, de que outras características, como por exemplo, formação familiar, experiências vividas, acesso à informação, dentre outras, o desafio da nova liderança é saber lidar com diferentes perfis ao mesmo tempo, entendendo que diferenças existem e que respeitá-las é fundamental para o crescimento de todos. 

Oportunidades para todos (menos cara-crachá e mais qualidade de vida)

Chego ao final deste artigo com as seguintes certezas: 

  1. As pessoas deixarão de executar atividade que não geram valor, seja para si mesmos, seja para a empresa; 
  2. A necessidade de continuar a aprender fará com que toda a sociedade melhore, evolua; 
  3. A qualidade de vida, considerando as novas possibilidades de atuação remota ou híbrida, já presentes, vem aumentando a possibilidade de estar mais próximo da família, de utilizar o tempo, antes gasto com deslocamento, por exemplo, para atividades físicas ou de desenvolvimento pessoal; 
  4. Uma integração ainda maior entre as pessoas, de qualquer lugar do mundo, ampliados pela inclusão digital. 

Portanto, não espere esta mudança chegar. Antecipe-se. Seja no pessoal, buscando seu desenvolvimento e adaptação às novas realidades, seja no trabalho, identificando tudo aquilo que poder ser “eliminado” e faça você mesmo. Não espere que outros façam e venham a ocupar este novo espaço. 

Como denominei nesta última parte do artigo, acredito que seja uma oportunidade para todos. Recentemente, ouvi em uma aula que o número de empregos que serão gerados por este novo modelo será maior do que a necessidade atual. Então, aproveite a oportunidade e faça você a diferença. 


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