O papel e os desafios da TI nas organizações

Em tempos de incertezas e desafios, empresas de todos os tamanhos buscam soluções para se manterem competitivas e garantir seu lugar no futuro. Para isso, uma das principais alavancas para o crescimento e a transformação organizacional tem sido a Tecnologia da Informação (TI).  

Para entender o cenário atual e o papel da TI nas organizações, Ari Pellicioli, CEO da ConsulPaz, conversou com Enéas Rodrigues, consultor, e Renato Maio, sócio-fundador da Lozinsky Consultoria. Eles compartilharam suas visões sobre como a TI é um elemento crucial para as empresas diante de desafios internos e externos. 

Os especialistas falaram sobre a importância da estratégia, arquitetura, governança e gestão de projetos de TI para garantir a sustentabilidade e o sucesso das organizações. Além disso, também abordaram temas como gestão de crise, cenário econômico, novo modelo de trabalho híbrido, ESG e o Chat GPT.

Tecnologia da Informação e a sustentabilidade dos negócios

Enéas Rodrigues falou sobre como a TI pode ajudar as organizações a se prepararem para momentos de crise e garantir a continuidade dos negócios. Para o consultor, a qualidade dos dados é fundamental em qualquer organização, e quanto mais informações preditivas disponíveis, melhor para a sustentação do negócio. A TI precisa ter uma arquitetura de sistemas robusta e flexível para a empresa, buscando equilíbrio para atender às demandas da estratégia. “Os CIOs e CTOs devem buscar esse equilíbrio dentro do contexto da estratégia”, reforça Enéas.

Para Renato Maio, é importante prestar atenção no que está acontecendo no mercado de Tecnologia da Informação nos últimos anos e criar espaço com inteligência para a chegada da Inteligência Artificial. Ele lembra que a transformação digital tem sido pauta nas agendas corporativas há uma década, porém apenas 12,5% dos projetos desse escopo tiveram sucesso. “É necessário analisar as causas desse insucesso, e uma das formas de avaliar e projetar negócios diante das incertezas também será através do uso da inteligência artificial, que precisa de análise de dados de primeira linha”, explica. Porém, muitas empresas não têm essa capacidade.

Assim, para resolver esse problema, é preciso ter um planejamento de projetos e suas execuções de formas suficientes, além de um estado de prontidão e grau de maturidade cultural para a utilização da tecnologia da informação de forma adequada. “A falta de cultura em utilizar a modernidade é uma das causas que levam a percentuais tão grandes de insucesso nos negócios”, afirma Renato.

Planejando a transformação digital: estratégia e alinhamento com o negócio

Diante de um cenário de instabilidade econômica, é importante ter uma estratégia de TI bem definida antes de implementar um projeto de transformação digital. A estratégia deve ser um alinhamento entre o plano de negócios e o plano de tecnologia da informação. “O plano de TI deve cobrir processos de negócio, arquitetura de sistemas, infraestrutura, segurança da informação, serviços de TI, governança, integração, gestão dos dados e GMO. Um comitê deve ser criado para governar o plano, prestar contas e fazer ajustes”, explica Renato. Segundo ele, o plano de TI deve estar alinhado com o planejamento estratégico da organização. Porém, também deve estar preparado para se fazer ajustes rápidos de forma a atender o dinamismo dos negócios. “O planejamento é importante mais ainda em momentos difíceis, pois garante que o investimento esteja dando o resultado esperado e permite adaptar-se às oportunidades”, declara Renato. 

Enéas trouxe um exemplo prático de como as boas práticas de gestão de estoque ajudou os Clientes da Lozinsky durante a pandemia da Covid-19. Antes da pandemia, trabalharam em projetos de otimização de estoque para empresas varejistas do país, que incorporavam tecnologias baseadas em Machine Learning e Inteligência Artificial para otimizar a alocação de mercadorias e previsão de compras. “Reduziu-se o capital de giro envolvido nos ativos de mercadorias”, lembra. Com o fechamento das lojas e as fábricas paradas, muitos empresários enfrentaram dificuldades para reposição do estoque. No entanto, essas soluções permitiram a realocação de mercadorias, do estoque já existente, para as lojas que mais precisavam. Assim, otimizaram a capacidade de caixa das empresas e garantiram que as prateleiras estivessem abastecidas. “Não previmos a pandemia, mas boas práticas de gestão de estoque, aliadas às tecnológicas disponíveis, ajudaram nossos Clientes a se prepararem para o pior momento”, salienta. 

TI e o trabalho híbrido 

Um dos temas abordados na entrevista foi a segurança dos dados em tempos de trabalho híbrido, em que os sistemas podem ficar mais vulneráveis. De acordo com Renato, a tecnologia está presente em tudo e está evoluindo rapidamente, aumentando os riscos de segurança da informação. Portanto, é essencial investir em diagnósticos e planos de execução para alcançar o grau de maturidade apropriado. “As empresas conscientes estão investindo nisso, enquanto aquelas que não o fazem podem sofrer consequências graves, como invasões e subtrações financeiras, e a conta pode ser bem alta e acaba chegando pela negligência”, reforça. 

Por isso, é importante se assessorar com especialistas em Segurança da Informação. Além disso, conscientizar os colaboradores sobre comportamentos seguros é fundamental para mitigar riscos. A preparação e treinamento das pessoas também é crucial na opinião de Enéas Rodrigues. “A discussão do modelo híbrido não passa apenas pelo RH, mas também pelas áreas de Negócio, e deve ser debatida com toda a Organização, levando em conta a cultura e necessidade de cada empresa”, afirma.

A Importância do ESG e o apoio da TI 

Em alta nas organizações, os consultores também abordaram a prática do ESG nas empresas. Enéas entende que o tema é importante para todos, Empresas e Pessoas, e a TI tem um papel fundamental. Isso porque garante a qualidade e a segurança das informações e suporta sistemas que apoiam a cadeia de valor do Negócio e sua relação com os requerimentos previstos nos temas relacionados ao ESG. Além disso, existem soluções no mercado para monitorar questões sociais e ambientais, como trabalho análogo à escravidão, consumo de água e poluição ambiental. Ainda dentro do aspecto social, também existem soluções para RH e treinamento. “O ESG vem sendo patrocinado pelos grandes investidores como forma de gerir temas relacionados à Sustentabilidade nas Empresas Investidas como uma maneira de proteger suas marcas e consecutivamente seus investimentos e acaba por apoiar também o pequeno investidor”, acredita.  

Renato sustenta que o ESG, que antes era chamado de EHS (Environment, Health and Secutiry), não é algo novo e tem ganhado mais pressão e interesse por parte das empresas e pelas comunidades em relação a questões ambientais e sociais. “É preciso tomar cuidado para que o ESG não se torne uma barreira para empresas menores e mais simples competirem com as maiores”, alerta. Outro aspecto importante é que o ESG seja inclusivo e acessível para todos, na visão do especialista. “É necessário que cada pessoa faça a sua parte”, declara Renato, se referindo tanto à escolha de produtos de empresas que adotam práticas sustentáveis, como ao descarte correto de resíduos por parte da população.  

O Futuro, a Inteligência Artificial e o Chat GPT 

O futuro da tecnologia com a chegada do Chat GPT e outras ferramentas de IA é algo que vem sendo muito debatido, porém é difícil traçar um cenário agora. “Ainda precisamos esperar para ver o que vai acontecer. Acredito que é algo que pode ser tão transformacional como foi o evento da Internet, se tudo der certo”, acredita Enéas. Ele recorda que a Internet surgiu em meio a críticas, pois seria uma ameaça às instituições, às famílias e aos negócios. Entretanto, com o tempo, os benefícios foram enormes. “Machine Learning e Inteligência Artificial, que sempre foram ferramentas importantes no contexto científico e empresarial, podem se tornar soluções poderosas para prevenção, predição e planejamento estratégico”, comenta.  

Para Renato, a IA veio para ficar e não é possível fazer uma pausa na sua evolução para elaborar uma regulamentação, como propôs Elon Musk. Tudo tem que acontecer em paralelo. Ela já está em uso em várias áreas, não só em perguntas no Chat GPT. “O desafio agora é integrar a IA na arquitetura atual das empresas para poder se beneficiar dela nos processos críticos da cadeia de valor”. 

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