Fundadores explicam como nasceu a Humans, um ecossistema que conecta pessoas, empresas e comunidades por meio de eventos e plataformas de desenvolvimento, transformando experiências reais e inovação em crescimento coletivo e sustentável
| Por que isso importa agora
Não falta tecnologia para área de Pessoas (RH). Falta integração entre pessoas, dados, decisões de negócio e experiências reais. É desse incômodo — bastante comum em empresas que crescem, mas ainda escasso no debate público — que nasce a Humans, um novo ecossistema que pretende reposicionar a área de Pessoas (RH) no centro das decisões de negócios.
A proposta é ambiciosa: reunir conteúdo qualificado, experiência prática, eventos imersivos, comunidade ativa e tecnologia em um único ambiente, com foco no desenvolvimento de lideranças, profissionais da área de Pessoas (RH) e negócios.
Para explicar como essa ideia saiu do papel, a Revista Conteúdo Compartilhado, do Grupo ConsulPaz, reuniu os sócios fundadores da Humans: Alexandre Muniz, especialista em tecnologia aplicada a RH; Rodrigo Jacopete, executivo com ampla experiência em grandes eventos e ecossistemas de conteúdo; Lucas Carvalho, responsável pela estratégia de marca, design e comunicação; e Eden Paz, fundador e conselheiro do Grupo ConsulPaz, empresário e articulador de ecossistemas colaborativos.
Nesta entrevista, eles falam sobre:
• A origem do projeto e a dor que pretendem endereçar;
• Os três pilares que sustentam a Humans;
• Como transformar conteúdo em impacto real;
• E qual marca desejam deixar no mercado nos próximos anos.
O que muda, na prática, quando pessoas, tecnologia e negócios deixam de ser tratados como silos?
| Um ecossistema estruturado
A semente da Humans foi plantada longe do Brasil, mas a dor era bem local. O primeiro encontro entre Rodrigo Jacopete e Alexandre Muniz aconteceu por intermédio de Flávio Horta, fundador do Digitalks em Lisboa, Portugal.
“A gente começou falando de tudo, menos da Humans”, lembra Jacopete. “Mas quando o Alexandre começou a contar a trajetória dele na ára de Pessoas (RH) e em tecnologia, ficou claro que ali tinha algo muito potente.”
Muniz viveu de perto uma das grandes viradas do RH no país: a adoção de sistemas integrados como o SAP HCM, ainda no final dos anos 90. Fundou, cresceu e vendeu uma empresa de tecnologia para RH e mais recentemente, aprofundou-se em inteligência artificial, com especialização acadêmica na área.
“Eu vivi a transição do RH operacional para o RH tecnológico. Agora estamos vivendo a transição para o RH orientado por dados e IA”, resume Muniz.
A afinidade não veio apenas do histórico profissional. Jacopete também iniciou sua carreira na área de Pessoas (RH), ainda como estagiário no Banco Bradesco, antes de migrar para o universo de eventos, vendas e comunicação.
“O RH foi meu primeiro emprego. Talvez por isso esse tema nunca tenha saído completamente do meu radar.”
O que começou como uma conversa sobre conteúdo virou um podcast e rapidamente ganhou escala. Muniz trouxe novas conexões. Entre elas, Eden Paz, empresário com longa trajetória executiva, consultiva e na formação de comunidades e ecossistemas de negócios, e Lucas Carvalho, profissional de marketing e design com experiência prática em comunicação corporativa e RH.
“O grupo se formou de maneira muito orgânica. Experiências diferentes, mas complementares”, resume Jacopete.
| Os três pilares que sustentam a Humans
Desde as primeiras reuniões, uma decisão foi clara: a Humans não seria apenas mais uma plataforma de conteúdo. Tampouco um evento pontual ou uma comunidade genérica. Segundo Lucas Carvalho, a identidade do projeto nasceu da intersecção entre três pilares:
“Pessoas, tecnologia e negócios. É nesse cruzamento que a Humans existe.”
O nome veio dessa lógica. Simples, direto, humano.
“A gente falava o tempo todo sobre o fator humano. A resposta estava na nossa frente. Humans precisava ser simples, objetiva e impactante”, explica Lucas.
| Propósito: impactar pessoas para transformar negócios
Ao ser provocado sobre a razão de existir da Humans, Alexandre Muniz é direto:
“A gente quer impactar pessoas de forma real. Não é sobre abraçar tecnologia por abraçar. É sobre gerar resultado para o negócio.”
Para ele, inovação só faz sentido quando se traduz em decisões melhores, ambientes mais eficientes e profissionais mais preparados.
“Não adianta ter uma tecnologia maravilhosa se ela não entrega valor. A área de Pessoas (RH) precisa ser protagonista do negócio.”
A Humans surge justamente para ocupar esse espaço: provocar, traduzir tendências e conectar experiências práticas acumuladas ao longo de décadas. Muniz destaca que o projeto não nasce do zero.
Todos os fundadores já atuam no mercado, em empresas próprias ou projetos paralelos.
“Isso nos dá independência. A Humans não nasce refém de um produto ou de um patrocinador. Ela nasce para gerar legado.”
| Eventos, conteúdo e comunidade: tudo integrado
A experiência de Rodrigo Jacopete em grandes eventos como o Mindsec, referência em cibersegurança na América Latina, e o Digitalks foi decisiva para o formato da Humans.
“Eventos sempre foram sobre pessoas. Sobre criar encontros que fazem o mercado acontecer.”
A diferença, segundo ele, está na intencionalidade.
“A Humans não quer só juntar gente. Quer criar conexões que continuem depois do evento.”
Essa lógica se desdobra em diferentes frentes:
• Podcasts, com histórias reais de projetos e transformações;
• Eventos imersivos, com participação ativa do público;
• Comunidades, conectadas por tecnologia;
• Masterclasses para conteúdos específicos
• Aplicativo, que funcionará como ponto de encontro do ecossistema.
“A ideia é dar voz a quem participa. Não apenas aos palestrantes”, diz Muniz.
| Como aplicar na prática
O que líderes de RH podem aprender com a Humans
1. Tratar tecnologia como meio, não como fim.
2. Conectar decisões da área de Pessoas (RH) a métricas de negócio.
3. Valorizar experiências reais, não apenas frameworks teóricos.
4. Criar espaços de troca entre profissionais em diferentes estágios da carreira.
5. Estimular aprendizado contínuo e colaborativo.
| Conteúdo Colaborativo
Para Lucas Carvalho, um dos diferenciais do projeto está na forma como serão produzidos e distribuídos os conteúdos. “Hoje o conteúdo é muito passivo. A gente consome, mas não interage. A Humans nasce para ser colaborativa.”
Isso significa abrir espaço para que profissionais compartilhem vivências, aprendizados e os próprios erros.
“Muita gente tem conteúdo valioso, mas não tem palco. A Humans quer dar luz a essas pessoas.”
A proposta é funcionar como uma curadoria confiável em meio ao excesso de informação.
“Não falta conteúdo na internet. Falta filtro”, resume Jacopete.
| Humans como hub da área de Pessoas (RH) do futuro
Ao longo da conversa, uma definição se repete: hub. Um ponto de convergência.
“A Humans pode ser entendida como um portal para compreender o futuro da área de Pessoas (RH)”, diz Muniz.
Esse futuro passa, inevitavelmente, por dados, IA, novas competências e mudanças culturais profundas. Mas também por algo mais básico: gente preparada para interpretar informação e tomar decisões melhores.
“Dado não é informação, conhecimento. Conhecimento é a interpretação do dado”, provoca Eden.
A Humans pretende atuar exatamente nesse espaço de tradução entre teoria, prática e futuro.
Box | O que dizem os números
• Segundo o World Economic Forum, 44% das habilidades atuais dos profissionais devem mudar até 2027.
• Pesquisa da McKinsey mostra que empresas que integram dados de pessoas às decisões estratégicas têm até 30% mais chance de superar concorrentes.
Fontes: WEF – Future of Jobs Report; McKinsey Global Institute.




